28/05/2008

Conto de Natal - parte 3

Entrámos pela porta, passei pelo porteiro fininho e ainda lhe tentei dar um biqueiro nas canelas, visto eu ser agora um tipo de super-heroi transparente, mas não resultou. Tal como nos filmes, o meu pé trespassou as canetas do filho da puta e eu fiquei puto da vida. Ainda tentei imitar os filmes, fazendo muita força ao pensar, mas a única coisa que saiu foi uma bufa. Mesmo assim fiquei contente porque comecei a olhar para o gajo e ele torceu o nariz com um ar agoniado e exclamou:
-Quem é que foi o podre que se cagou?
Anuí lado a lado com o Ganimedes por aquela entrada majestosa, subimos a rampinha e virei à esquerda, tipo em piloto-automático?
-Onde vais? - perguntou o espectro
-Vou deixar o casaco!
-Foda-se, mas tu estás parvo? Cá para mim tu estás mas é com saudades do Óscar, o bicho androgena do bengaleiro...
-Hiiii, esse... Desculpa, ia novamente em piloto-automático
-Em vez de fazeres agulha em direcção ao "privado", babar-te com a Isabelita, a gaja
de cabelo preto para quem tu te babavas a micar as mamas, não! Vais matar saudades do panasca!
-Oh pá, mas ele até era um gajo fixolas...
-Era porque eras gajo!
-Tens razão. Vamos lá ver a grossa!
Assim que entrei pelo amplo espaço do privado, Isabelinha dos cabelos pretos à Cleopatra já estava a encher unhas, com o seu vestidinho preto muito decotado, bamboleava o corpinho de tez clara, enquanto o Pedro Lata, dançava uma espécie de dança da chuva misturada com o twist, em cima do balcão! Que saudades meu deus!
-Olha lá, tu deves coonhecer este gajo lá do Limbo, ou o gajo foi para o inferno?
-Naaaa. O gajo tá no paraíso, sabes? Mesmo com a vida devassa que levava fez muitos amigos cá em baixo! E isso valeu-lhe a eterna GOA!
-Foda-se, teve sorte, o gajo! Bem, e agora?
-Agora vamos circular...
-Porra, é mesmo à Tony. Sempre a andar às voltas pelo recinto a micar os mais bezerrados para os catar.
-Não, vamos ver uma pessoa...
-A sério? Vai ser difícil, isto parece ser uma noite de Sábado e a única coisa que vi foram os trastes do costume, tirando o Lata vestido como um palhaço da Tété e a Isabelinha com as suas insinuações lesbianas para a Sandra, a outra mais tronxuda... Com essa tive eu uma picardia dos infernos, mas depois fizemos as pazes. Mas a Isabelinha é que me enchia as fantasias...
-Vá, buga lá antes que fiques aqui a babar-te como um velho narsa e rebarbado como aqueles que tu davas com os cotovelos nos costatos! Lembras-te?
-Foda-se, os gabardinas!!! Então não lembro? Faziam-me comichão, esses tristes, sempre a roçar-se por detrás das moças que estavam na pista a curtir! À pala deles também saquei alguns nacos, numa de bom samaritano e tal, espantava os gajos, dizia às tipas para fingir que estavm comigo que o gajo bazava. Elas agradeciam por palavras e mais tarde, com alguma sorte, com o corpinho. Eu tinha a mania que era um gajo justo, altruísta e samaritano, mas no fundo era um filho da puta de um biltre igual aos outros. Tinha era mais classe e não era garganeiro. Conquistva pela simpatia, pelo desinteresse em futilidades, e claro está, conquistava também pela boa droga que oferecia quando tinha a certeza que o agradecimento se aproximava, ou seja, quando as minhas mãos já não sentiam o tecido...
-Já estamos a chegar a algum lado. Já começas a perceber a finalidade disto tudo.
-Eu não, estou só a ter um momento de nostalgia. Faria tudinho igual! Ehehehehe!
-Vamos ali ao pé do bar do Chuva...
-É só artistas, hoje..!
E lá fomos nós ao barzinho mais pequeno do Templo, o bar do Chuva, esse local de encontro da sub-espécie mais pesada, os gajos mais velhos e batidos nas negras artes notívagas. Aliás, recordo-me um dia em Dezembro em que estava mais um amigo e colega de trabalho, um tipo de Cascais 5 estrelas, quando o gajo exclama apontando para o bar do chuva:
-Está ali o meu tio com os amigos! Embora lá falar com ele!
-Estás doido? Não vês que estou com os olhos a parecerem faróis de nevoeiro, e estou a remorder-me todo? O gajo vai perceber que estou um bocado drogado, isto é se não perceber que estou todo e até cima!!!
-Não há crise, o meu tio costuma ter boa coca...
-Ganda tio... - exclamei eu todo contente!
O tio dele era um tipo normal de Cascais, quarentão, boa pinta, e low profile. Estava com os amigos e amigas da mesma faixa etária e também sem levantar grandes ondas. Mas estavam animados entre eles e parecia haver uma certa cumplicidade que eu apreciava.
-Tio, tás por aqui sacana? - disse o meu amigo - Sabes, estou aqui com este meu colega e ele estava aflito em vir aqui porque estava com medo que tu achasses que ele está completamente estricado!
-E está? - perguntou o tio
-Está, não, ESTAMOS!!!!
-Fazem bem rapazes, a vida é curta...
-Tio, tens alguma coisa para o teu sobrinho do coração?
-Calminha chavalos, a noite é longa...
Palavras sábias aquelas, era um tipo da velha guarda, aqueles que pintavam a manta e ninguém topava nada! Aquilo que o gajo queria dizer é que ainda acabariamos numa urgência com uma crise renal, o que era comum em adolescentes marretas que se punham a meter pastilhas como se fossem sugus e a beber água como um peixe. Esses fedelhos eram aqueles que tentavam dançar aos saltos, histéricos, a falar comiam as palavras, mordiam-se todos até fazer sangue. Normalmente vestiam-se à betinhos, todos iguais, tal era o hábito dos colégios católicos, com aqueles polos da Amarras pelo pescoço, as pulseiras feitas de o-rings de borracha, calças 501 esgaçadas, camisinha aos quadrados... Pareciam todos irmãos gémeos, clones do caralho. Queriam ser homens, os palhaços, mas a única vez que sentiam os braços de uma gaja era quando a amiga mais velha e que os tinha trazido numa saída, os levava de rastos até ao táxi. Tenho-lhes alguma raiva porque me deram cabo de uns caldinhos com as amigas deles, tipas quase por estrear egostavam de, pelo menos uma vez, foder com o povo...
Juntámo-nos ao grupo do tio do gajo e os gajos começaram a dar lições de moral, mas nada do tipo moralista a sério, era um mais uma espécie dogma nocturno, código de conduta, em que tinhamos que nos afastar dos holofotes, destacar pela nossa sobriedade, mas sempre nas nuvens, sempre senhores de nós próprios e nunca andar a cambalear. Às tantas o tio dele perguntou-nos se queriamos Poppers. Eu, ainda a medo questionei-o se aquilo não era coisa de rabetas, mas ele disse-me assim:
-Oh pá, isso são pré concepções de adolescente na puberdade! Droga é droga!
-Oh pá, então quer dizer que também aceitas a ganza nesse rol...
-Não exageremos... Pronto, há coisas que deves evitar! Também não devemos ser extremistas...
-OK. Eu nunca dei nos Poppers, mas que se foda...
-Poppers, no máximo duas ou três cheiradelas por noite, senão ficas todo cozido. Não faças como aqueles barrascos de Chelas que andam com um lenço empregnado e cheiram de 5 em 5 minutos! Até te nasce uma pala trás da cabeça e, posteriormente, o chapéu completo... E olha que isso é irreversível. Também ficas com o instinto de marcar o território com saliva, o que te faz cuspir de 10 em 10 minutos, mesmo a dormir... Por isto tudo é que vos aviso: cuidadinho...
E lá dei eu uma bombada no frasco... Assim que inspirei, senti tudo a desaparecer à minha frente, todas as cores se misturaram e criaram uma espécie de paleta de gouache toda rabiscada. Pelo meio ainda vi a cara de um gajo que me parecia ser de um matarroano que estava enganado no dia. É que aquilo à Quinta Feira era a noite do estudante. Era hábito os palonços universitários que não eram da Capital irem para ali emborrachar-se em cerveja até cair... As palonças eram mais recatadas e mais finas, até se atreviam num ou outro vodka, os que as tornava um bocado libertinas e nessas alturas cagavam no Felisberto que tinham deixado na terrinha e a quem tinham jurado fidelidade eterna depois do gajo a ter conseguido papar numa capoeira. Quando descobriam realmente o prazer da carne, tornavam-se numa feras indomáveis. Eram meninas da aldeia, mas fodiam como as da cidade!

27/05/2008

Conto de Natal - parte 2

Num instante, chegámos às nuvens, e assim que entrámos nelas, vi tudo branco, tipo anúncio da SKIP ou coisa do género. Mas foi por breves instantes! Comecei a ver flashes que quase me cegavam a visão e exclamei:
-Oh Fantasma, não me digas que não te lembraste que podiamos apanhar trovoada! Olha que sou apenas Humano... Ou então já estamos numa rave qualquer... Mas não ouço música, apenas o som da brisa primaveril a bater-me nos coiratos!
-Calma, tem calma! Já lá chegamos. Estamos a atravessar o Limbo da GNR, e aqui os gajos ainda não perceberam que não há velocidade limite e insistem nos Radares! Tem paciência! A pressa é inimiga da perfeição. Pergunta aos gajos que sofrem de ejaculação precoce!
Passámos aquela merda e começámos a cair do céu, e comecei a ficar assustado. Foda-se, ainda pensei que iam dar comigo estatelado no meu da rua, todo nú, ainda por cima com uma companhia dantesca! Fechei os olhos, reacção normal, pois sou apenas um Homem! Enquanto caía, comecei a ouvir um som baixinho a aumentar de volume, Era-me familiar! Em tempos até gostava daquela merda... Reconheci quando se tornou mais alto. Era uma música dos Kult of Krameria. Sempre com os olhos fechados, finalmente cheguei ao chão! A aterragem não foi das mais suaves, mas mesmo assim não fiquei esmerdado nem parti nada, apenas um bocado dorido, tipo como se estivesse poder de bêbado, caisse e só depois de ver o mundo de pernas para o ar, desmaiar! Mas neste caso não desmaiei. Levantei-me do chão, abri os olhos e vi onde estava! Tinha voltado ao Kremlin!
Estava mais descansado, pois já estava vestido. Usava umas roupas daquele tempo, roupas que um dia chegeui a usar. As calças cinzentas da Cheyenne, tipo fazenda, quase veludo! Uma camisola da Frederick Holmes, em malha, com as mangas em lycra, toda azul, apenas com umas riscas amarelas a fazer lembrar uma sinalização das curvas apertadas das estradas secundárias... Carinhosamente chamava-lhe "a camisola da BRISA". Calçava uns Ténis pretos, tipo camurça, da Sketchers. Enfim, tudo roupa que um dia usei! Eu sei, eu sei... um bocado abichanado, mas na altura era o que as pessoas usavam! Pelo menos eu usava, e o gajedo gostava de passar a mão naqueles tecidos agradáveis ao toque e, consequentemente acabariam por passar a mão no nabo sem grandes conversas! O ecstasy fazia milagres...
Lá no Kremlin estava tudo doido, tudo ao mesmo ritmo, tudo de garrafa de água na mão. A garrafinha, esse ex-libris dos 90. Era ouro, a água! Os filhos da puta cortavam-na nas casas de banho a partir das 2 da matina, e cobrando 700 paus por uma garrafa de 1/4 de litro! Estavam lá todos: os travecos, os blacks dealers que vendiam uma mistela em que o ingrediente principal era SKIP e faziam-na passar por pastilhas, as modelos dos catálogos do Continente que se achavam umas Top Models mas que se dissessemos que trabalhavamos em televisão e tinhamos coca, alinhavam numa festinha a três "no questions asked", as quarentonas divorciadas paponas de putos na pujança da idade e do speed, os velhões panascas refundidos na zona escura do pardieiro a micar os putos, os gunas de Chelas e a sua mania dos apitos de árbitro... Até vi o bombado do porteiro da altura com as calças de fato treino vermelhas da Adidas com os seus ténis Assis Tiger amarelos, e casaco de cabedal!
-Oh meu, leva-me daqui! És mesmo sumítico, mais um cochinho e estavamos no Alcântara!- disse eu ao espectro!
-Desculpa, é a força do hábito, sabes? Nós funcionamos como os pombos, onde quer sejamos largados, voltamos sempre à pócilga das nossas gaiolas! É por isso que os meus semelhantes mortais têm uma taxa de reincidência criminal muito grande!
-Logo vi... só faltava mesmo era parares pelo caminho para ires à Caravana dos Hot-Dogs aqui ao lado.
-Pois, tens razão! Caga nisso, vamos mas é embora ali ao Alcântara!
E lá fomos nós a voar pela 24. Aquilo para mim já não era novidade, pois uma vez, eu e o JR vínhamos de Cascais, na sua GSXR 7 e meio, onde tínhamos comprado Ácidos, e pensámos que estávamos na AutoBahn. Era isso e porque ele apostou comigo que a mota dele eram daquelas da Galática!
-Em segundos, estávamos na Travessa da Cozinha Económica. Insisti em pousarmos porque queria ter aquele flashback de ir pela rua a pé, passar pela porta da maralha, virar à esquerda e dirigir-me à porta dos cartões... Aquela merda, mesmo depois destes anos todos até o fazia de olhos fechados. Assim que dobrei a puta da esquina, quem eu vejo à porta? O gajo fininho que me conhecia de jingeira mas que não ia com a minha cara e fazia sempre a mesma pergunta:
-Tem cartão da casa?
Foda-se, o cabrão tinha algum fetiche retorcido em me ver sacar o cartão preto. Ou isso ou o gajo tinha um prazer mórbido em dizer "faxavor" contrariado! Todos os dias era a mesma merda! Estes gajos da noite têm mesmo pancas maradas! Eu também as tinha, mas considero que eram as vulgares de lineu, ou seja, gajas a régua e esquadro que não eram fufas mas que de quando em vez gostavam de uma palhaçada lésbica! Não, não eram tipas da maçonaria, eram gaiatas com as medidas de sonho!
-Oh fantasma, olha que o gajo vai me pedir cartão, e a ti, simplesmente se ri, a não ser que esta seja já aquela época decadente do Alcântara em que se transformou no salão de baile do Sacavenense!
-Não te esqueças que ninguém nos vê.... Já agora, trata-me por Ganimedes!
-Gani quê? Esse gajo não era um gajo do tempo da grécia antiga?
-Ya!!! Foda-se, e o chunga burro sou eu? ZEUS é o meu patrão, e se tu não te armasses aos cágados com essa merda da classe, saberias que o meu chefe, o ZEUS, chutava com os dois pés! E um dos amantes do gajo era precisamente o Ganimedes! E o gajo acha que sou parecido com ele...
-Mas vocês não têm sexo...
-Esqueceste-te do "pouco" antes do sexo. Porque achas tu que gosto de andar a voar? Lá de onde vejo também temos Citroenes Saxo verde alface com lâmpadas do talho por baixo, mas passar pelas lombas torna-se doloroso para mim! Já bem me basta a vergonha de me parecer com um jogador da bola da terceira divisão com mau gosto! Ups, perdoa-me a redundência...
-Poupa-me lá os promenores sórdidos, já tou a ficar enjoado! Buga lá para dentro que estou a ficar impaciente...

25/05/2008

Conto de Natal - Parte 1

Noite de sábado para domingo.
Estava eu a dormir, depois ter mandado a trancada semanal a que o estatuto de esposo me obriga, quando de repente, me entra um gajo pela janela, a voar. Vestia calças azuis berrantes, uns ténis All-Star amarelos, uma t-shirt fluorescente com um Smile, óculos escuros com lentes azuis e um boné à guna. Na mão trazia uma pequena garrafa de água, mascava uma pastilha frenéticamente e abanava a cabeça com uma cadência 4/4 perto das 140 BPM's... Levantei-me num ápice e dirigi-me ao local secreto onde guardo a fusca. Por momentos ainda pensei que tivesse morrido e aquilo era a MORTE, mas achei que era de mau gosto mandarem um anjo tão manhoso e chunga! Afinal, eu nunca tive qualquer relação com as gentes de Chelas! Além disso o gajo não tinha asas nem nenhuma aura, apenas um cheiro a suor e a única coisa parecida com luz que eu via era uma daquelas barrinhas fluorescente que se partem, abanam e dão luz durante 12 horas, que estava pendurada ao pescoço do gajo! Ainda pensei que fosse uma nova forma de abordagem radical dos Jeovas, mas como o tipo estava sózinho e não trazia revistas caguei nisso.
O gajo, ao ver que estava ali em pânico, a ver se encontrava a canhota no esterco que é o meu armário, apressou-se em desfazer-me as dúvidas:
-Eu sou o fantasma das Raves Passadas!!!
Fiquei abismado, caguei na fusca porque já aprendi que os fantasmas estão-se a cagar para tiros, facadas e porrada! Aprendi à custa de muitos filmes manhosos... Fiquei também apreensivo porque aquela merda era-me familiar, já conhecia aquela lenga-lenga de algum sítio.
-Venho aqui com uma missão! Tens de tomar consciência para onde caminhas. Eu vou ajudar-te!
-Oh meu chunga de merda, quero lá saber se tu és alma penada! Põe-te mas é nas putas antes que a patroa acorde. É que se isso acontece, eu vou ter de dar mais uma berlaita e não estou para aí virado! Eu não aguento carinhos depois da foda duas vezes no mesmo dia... Além disso ando todo fodido da picha, porque a Esmeralda, colega lá do trabalho, gosta de fazer bicos depois de almoço mas ainda não aprendeu que os dentes não são para entrar na festa! Já me custa a obrigação de uma ao fim-de-semana! Se eu falho essa merda ainda tenho filhos pretos!
-Está descansado, só tu me podes ouvir e ver... Além disso enfeiticei a tua mulher com a magia dos Valliuns!
-Oh pá, já estás a subir na minha consideração. A continuar assim ainda sou capaz de te ver como um Humano e não apenas como um gajo da Zona J! Mas diz-me, o que raio é isso de seres o fantasma das Raves Passadas? Vens cobrar a minha alma por um dia ter metido pastilhas e fumado uma ganza, no beco atrás do Alcantara-Mar? Eu sei que foi uma atitude chunga mas eu andava desenquadrado e sozinho. Eu sei que a única coisa que se mistura com MDMA é cocaína e champagne. Mas naquele dia cedi! Tinha de ver como era o outro lado. Tinha que, pelo menos uma vez, ver como era a noite pelo prisma de um calhau! Não bastava fazer-me acompanhar deles! Tinha que ver o que eles viam! Além disso estava deprimido e sem guita! Eu sabia que naquele dia não iria comer nenhuma modelo que faria uma mamada por uns riscos de branca. Nesse dia sentia-me quase um suburbano adepto de futebol, tremoços e imperiais!
-Nada disso! Não venho cobrar nada, apenas te venho levar a dar uma volta ao passado. Para recordares as Raves dos anos 90.
-Foda-se, não me vais levar a nenhuma matiné de província onde achavam que "2 Unlimited" era techno pesado. Nem me vais levar de volta ao Sudoeste, aquele antro no Bairro Alto, embora eu tenha boas recordações desse tempo, ainda tenho um quase trauma de infância com Catarina Gorda, a fufa da porteira que desatinava comigo! Se me queres levar ao passado, larga-me numa daquelas orgias em que estive e pouco me lembro!
-Naaa... Vou levar-te a um sítio que te era familiar e passaste bons momentos! Além disso o Sudoeste era nos anos 80! Eu sou o fantasma das Raves Passadas, não o Fantasma da Triste Época do Acid House! Sou chunga, mas também tenho alguns limites quanto ao mau-gosto!
-Yuuupiiii! Ao beco do Alcântara-Mar, aquele de que falei há um bocado! E se tu tens poderes sobre-naturais também podes arranjar boa branca!
-Também... Agarra-te ao meu boné mágico da Nike!
E lá me agarrei à pala do chapéu à guna do gajo de Chelas... De repente saímos a voar janela fora, em direcção às nuvens! Só aquela coisa de ir a voar já me estava a fazer recordar uma vez que meti Ketamina a julgar que era Cristal! A única cena chata era que o gajo não me tinha dado tempo para me vestir, eu eu costumo dormir nú! Eu rezava que ninguém me visse naqueles propósitos ainda para mais agarrado à pala do chapéu de um gajo chungoso e borbulhento. Mas também, eu vivo num dormitório urbano... Quem haveria de estar acordado aquela hora? Até achei que o facto de ir a voar era secundário! O que achei mesmo surrealista era fazer-me acompanhar com uma espécie de sub-espécie, ainda para mais, todo nú!!! As únicas vezes em que isso aconteceu, estava ser assaltado, tirando a parte do nú, está claro...

22/05/2008

Copia essa merda e cala-te...

Acéfalos espécimes que mandam, têm eles a capacidade de pensar e decidir! Ou serei eu o ser desprovido de inteligência? Talvez, já não sei! Eu tento, bem que tento fechar os olhos à ignorância, ao torpor da gentalha hipócrita! Mas custa-me... Temos o que merecemos, é assim que rezam os antigos!

País de merda, gente de merda, sempre orgulhosos de feitos e glórias quinhentistas, mas que agora chama à "Portuguesa" a música da selecção, que acha que ser "afectivo" é uma profissão, usa a matemática apenas para programar férias, folgas e baixas de acordo com feriados e pontes... humanos estúpidos e perigosos estes! Dói-me o estômago, dói-me os dentes de tanto os cerrar. O melhor a fazer é manter-me no anonimato, silencioso no meu canto, fingindo a burrice, seguindo o pastor cegamente e respeitando o ladrar do cão... mas tenho a lã escura! É a minha natureza, e contrariar isso é negar a minha existência, o meu livre arbítrio de pensar! Apenas o faço por necessidade de terceiros, mas o corpo dá sinais de si, é preciso mudar, à força ou pela força!
Custa assim tanto pensar, idealizar e inovar? Eu também não gosto de trabalhar, perca de tempo nesta curta vida, mas se tenho que o fazer, ao menos que tire o proveito, tenha a glória e tenha orgulho nisso, que o faça com o mínimo de prazer!

Deus manda, tu fazes, temos papel para vender! A sopa de letras tem mais nexo que esta merda! Há ali papel higiéncio usado, é para copiar também? Vende-se gelo a esquimós, vende-se areia tuaregues, censura-se quem fala mal da manada de lá, chupa-se as pilas dos chefes da manada de cá! Brochistas!!! Os pretos não são gente, os pobres são feios, os de direita são fascistas, os de esquerda não têm classe, a realidade não usa "Armani"!!! Chefe, chefinho da manada, determina mais alguma coisa?
E queixam-se do governo, dos impostos, da conjunctura, apontam erros, apontam defeitos, dão bitaites de entendidos "se fosse eu, chegava lá e fazia assim...." expressão tacanha de quem foi sempre um inútil. Temos o que mercemos, país de merda, gente de merda.

19/05/2008

O copy/paste e os dealers da EDP

Eu gosto de andar de comboio! Eu gosto de ler enquanto ando de comboio! Eu leio aqueles pasquins à borla de nascem nos assentos dos comboios! Eu conheço jornas, de esquerda, que são de uma elite que não anda de comboio! Eu conheço jornas que não aceitam os pasquins à pala porque isso representa a quase extinção do seu "posto de trabalho"! Eu conheço jornas que acham que aquilo não é escrito em termos e é um atentado à "classe"!

A diferença entre um jorna normal e um jorna dos gratuitos, é que o primeiro domina a arte do copy/paste, já o segundo é um massarro!!!

"Uma descarga eléctrica de alta tensão matou, em Braga, um homem que havia arrombado a porta do posto de transformação da EDP no bairro Santa Tecla. As autoridades suspeitam que
a vítima, que era toxicodependente, terá arrombado a porta do posto da EDP alegadamente para furtar cobre ou procurar drogas."

in Global Notícias 19/05/2008 - pág 8

Os meus pais, quando eu fui para o primeiro ano do ciclo, avisaram-me:
-"Cuidado meu filho, não aceites doces dos senhores que estão à porta da escola! Aquilo tem droga..."
Eu sempre andei à procura dos gajos na esperança de uma borla... mas em vão! Tive sempre que pagar por ela.... Agora já sei onde a podia encontrar!!!
Porque raio não fui eu para electricista?

p.s. sim, sou um gajo que gosta de tudo à borla, e depois?

18/05/2008

Coprolália

Fodem as abelhinhas
Fodem os cães
Fodem os passarinhos
Fodemos Nós...

Gostamos de foder, pois então
Foder até mais não
Foder a vizinha, foder o padeiro
Foder a vida, foder dinheiro
Fodemos por prazer
Fodemos porque queremos
Prazer mórbido, prazer primário
Prazer de foder as trobas ao Zé
Enquanto lhe fodemos a mulher
Fodemos carros, fodemos putas
Fodemos o mundo, com gana e tesão
Sem foder é que não...
Fode o padre, o menino
Fode o patrão, o empregado
Fode a empregada, o patrão
Fode o pai, o filho
Fode também a mulher
À força do seu desejo
À força da sua força
Fode-le as fuças, fode-lhe a alma
Havia de ser fodido sem dó nem piedade...
Fode o presidente, fode o secretário
Fodem meia-dúzia de iluminados
Adoram foder 9 milhões de desgraçados
Fodem os árbitros, a fruta
Fodem também a animação
Haviam de ser fodidos com a mesma ambição
Fode meio mundo o outro meio
Anda meio mundo fodido
A foda desta vida
É querer foder e não poder
Ter guita é foder
Não ter é ser fodido
Se queres muito foder
Fode a tua mão

Fode muito, muito mesmo
Fode com paixão
Fode com alma, fode com calor
Deixa-te foder por quem te quer foder
pela mesma razão!






Só não digo "foda-se" porque não gosto de ordinarices!!!

14/05/2008

Rumble Fish

"...este fica..."
O cinzento, esse tom que todos nós damos como certo, que o vemos, que mesmo o mais daltónico o distingue, é tão obscuro e fascinante para mim!
Certo dia fiquei intrigado com uma doença rara que desconhecia por completo, a incapacidade de sentir dor. Como será que assim se vive? Como se aprende o que magoa? A dor é indispensável à sobrevivência, é o sinal de alarme de que qualquer coisa nos pode lixar... É A RAZÃO DO MEDO!
A intriga surge por isto mesmo porque estes doentes têm que forçosamente aprender um conceito estranho, têm eles próprios que inventar um limite, têm que ser iguais entre iguais! Mas é falso, cheira e sabe a falso! E assim entendi o inferno do que levar uma vida teatral, o fingimento... e isso tolda-nos! Não que padeça desta mesma doença, antes pelo contrario, sou um parido dos diabos! Mas compreendo-os de certa forma....
No meu caso concreto, a questão não é tão física e directa, não me afecta a integridade, afecta-me sim a capacidade de decisão!
Para mim, a expressão "não é tão linear assim" não faz qualquer sentido, é vazia, não existe! Sei o que significa, também aprendi por força, ou melhor, à força, porque é o senso comum que impera, não quero andar desenquadrado! Mas ando....
Só vejo o Preto e o Branco, não há cá "zonas cinzentas", ou sim ou sopas, ou oito ou oitenta, ou vai ou racha... e outros adágios populares. Sou assim, não porque queira, apenas sou. E isto afecta-me socialmente, familiarmente, inconscientemente, fisicamente, visceralmente... Cerro os dentes e os punhos com a mesma facilidade com que sorrio
Mas como os outros, também eu "aprendi" a conhecer o intermédio das coisa, aprendo a controlar a dor do torcer do braço, mas não quer dizer que as compreenda, que as aceite! O meio-termo faz-me asco! Irrita-me! Soa a hipócrisia, a falso! Será que não entendem ou serei o único iluminado? Finjo não perceber o fim, apenas a intenção. É assim todos os dias. E calo-me... Como eu detesto ter razão!!!
Reflete-se no meu próprio ser, pois faz de mim uma coisa hedionda, radical e extremista! Mas não sou. Eu tento, eu represento, eu finjo ser o que não sou, finjo ver o que não vejo, finjo perceber o inconcebível, sinto-me só por vezes...
Tentei eu ver, pelo menos, o sacana do peixe vermelho, mas nem nisso encontrei o meio-tom... Tudo é antagónico! Tudo é contraditório! Que luta infernal!

Apenas tento viver o máximo na zona branca enquanto caminho a passos largos, e aterrorizado, para a zona preta. Sou incapaz de perceber que estou no cinzento e isso molda-me, afectando por vezes uma insignificante tomada de posição mais branda, mais moderada! FICO IRADO! Moderar o quê? Por muito que tente, sou mau actor, não acho o fiel da balança, chego mesmo a ser MAU. Apenas acabo por representar o célebre personagem do conto de fadas...
Mas também sou bom, bom demais, complacente e terno! Também tenho a capacidade de chorar, da inépcia e da letargia.Mas tudo são extremos. Não me defino, ando numa luta constante com o mundo... Ou será como o peixe que, quando vê a sua imagem reflectida, investe de guelras arqueadas? Quererei eu impor o meu território, a minha vontade inabalável, o meu pensamento linear? No fundo, até agora, continuo a marrar contra o espelho, contra a minha própria imagem, enquanto represento um filme fraco, cheio de falhas de argumento.

Assim sou eu, o Preto acre das bolinhas que sabem a podre, quase que execráveis mas apenas acessível a alguns, que se mistura com o fofo creme Branco-alvo, quase que angelical, mas que não passa de uma reles e malfadonha mistura de elementos pouco nobres e apenas possível pelo poder da física e química, na vã esperança que dê um Verdadeiro cinzento.

08/05/2008

O revivalismo de modas passadas ou a auto-flagelação! Ou ainda: "não me apetece editar o post anterior"

A Ritalina, a Cocaína, a Fluoxetina, a panasquice, o Salazar e os piercings são merdas de outros tempos que causavam uma certa agitação ou um certo repúdio!
Hoje é moda e fica bem dizer que se gosta pelo menos de uma delas....

O revivalismo de modas passadas ou a auto-flagelação!

As calças à boca de sino,o Camilo de Oliveira, o swing, o Nelson Ned, a Vila Faia, as Doce, o Santana Lopes e a trepanação são algumas das merdas de outros tempos voltaram a estar na moda.

Estaremos com uma crise criativa? Será mesmo que a minha geração afinal é mesmo rasca? Talvez, mas aponto mais para preguiça de inventar novas parvoíces que não sejam baseadas em tecnologia de ponta ou de ré (vulgo de merda)!
Inventem qualquer coisa para que os meus descendentes tenham uma referência qualquer, para que possam dar continuidade à tacanha expressão"...no meu tempo...". Sim, essa mesma expressão de outros tempos, mas nunca saiu de moda! Essa já quase que paga imposto sucessório. É transmitida de pais para filhos quer seja por meio de palavras ou de um valente enxerto, prevalecendo sempre com firmeza e nunca deixar de ser moda! Que iremos desenterrar nós amanhã? A PIDE? Olhem que Alberto João vai ficar sem nada para a fazer...Mas também já não há jornas, apenas estagiários e os comunas já vestem Armani, por isso tinham que ir malhar noutros lados...
A continuar assim ainda vamos acabar no canibalismo, na monarquia e na zoofilia, sendo que esta última ainda se mantém num pequeno reduto Luso... ali para o Noroeste, mas isso também tem uma razão de ser. São as consequências da consanguinidade e de um grau de parentesco chamado pai-tio.

Vamos todos criar uma nova moda: a Terças -Feiras Negras!!! hã...? O quê? O pão está a QUANTO???? Foda-se, foi rápido....

06/05/2008

A morte previamente anunciada.

A Gabi!
Ela tinha cerca de 30 anos quando a conheci. Eu tinha 18. Rapariga de família normalíssima, abastada, coesa e nada disfuncional. Em novinha conheceu um gabirú que seguiu cegamente, exceptuando no acidente de mota que lhe ceifou a vida. Poupou-o à agonia! A Gabi teve como herança do seu namorado o vício da heroína e a SIDA! A Gabi era um farrapo humano em recuperação, mas apenas por frete, por amor à família, para os poupar da melhor forma a um fim mais do que certo, a um fim nauseabundo para quem vê!!! A Gabi decidiu ser uma rapariga da família, do vício, da recuperação com conta peso e medida... Afinal nada nem ninguém lhe poderia fazer mal. Ela sentia-se intocável! A primeira vez que vi alguém caldar, foi a Gabi. Foi um misto de curiosidade mórbida com terapia de choque... Por azar a seringa entupiu! Ao tira-la da veia, o sangue salpicou tudo em redor da Gabi. Por momentos senti um arrepio, pensado que tal não seria normal... - "Venenoso..." - foram as últimas palavras que balbuciou antes de olhos revirarem e entrar naquele torpor, que para ela era tudo!!! Era tudo o que lhe restava! Estava eu, o J.R. e a Gabi. Ela bebia uma cerveja em lata... Eu peguei na cerveja dela e quando me preparava para dar um gole, ela solta um estridente e assustador -"NÃO FAÇAS ISSO... Oh estúpido, olha que eu tenho SIDA!-" Fiquei gélido! A minha cabeça foi assaltada por mil e uma reacções, mas nenhuma saiu... apenas disse: "...não sabia..." Naquele momento percebi a Gabi!!!
Deixei de saber da Gabi pouco tempo depois, nunca mais soube dela. Possivelmente já dança ao som do piano. Não sei... Foi uma pessoa que passou por mim de raspão, mas que me marcou muito. Foi a primeira em que vi o cavalgar sacana em plena acção, foi o primeiro "venenoso" que conheci.

Hoje vi isto e lembrei-me dela!


Dorme Gabi, dorme...

05/05/2008

O despertar do mau gosto que há em mim

Ando a dar comigo a mirar aquelas gajas chungas, de aspecto fácil e ordinário, aquelas que têm escrito na testa "10 rosas", formigas de Shopping Center. Aqueles vacões desmiolados que só se preocupam com a roupa berrante cheia de purpurina, que apesar de terem uns 20 quilos a mais insistem na calçinha de cintura descaída, em que o cinto é tapado pelos pneus, que mais parecem coiratos crus, daquelas que dá vontade de foder à bruta e chamar-lhes nomes...
Será o despertar do camionista que há em mim??? E eu que até sou um gajo romântico e sensível...
Vou ali num instante por dedos na tomada eléctrica a ver se passa!!!


p.s. desculpa lá, mas foi um desabafo.

Ninguém mexe, isto é um assalto!!!!

Respiro fundo numa de ganhar coragem, miro a porta ao longe, faço uma breve "check list" mental aos procedimentos que anteriormente tinha ensaiado, meto a mão ao bolso a verificar a pistola e finalmente arranco em direcção ao outro lado da rua. A 3 metros da porta baixo o gorro, sempre mantedo a cadência acelarada do passo. Assim que lá entro, o gajo atrás do balcão olha-me para os olhos com um ar de terror como se estivesse frente-a-frente com a Roçadeira Cabrona. Nesse mesmo instante miro-lhe a puta da pistola mesmo entre os olhos, na chamada "zona vermelha" e mesmo antes de articular o chavão típico do "Isto é um assalto" (aliás, nunca eu percebi porque raio temos de dizer isso... será que pela indumentária e o facto de eu lhe estar a apontar um "ferro" aos cornos ele não entenderia??? ) já o desgraçado do homem estava de braços no ar a fazer sinal com o queixo para o sítio do dinheiro... Foda-se até me engasguei ao proferir a mágica frase que iria desfazer todas as dúvidas da minha presença. Que merda....
Fiquei a dois metros do tipo (mais perto nem pensar...), houve ali um silêncio de três segundos (que mais pareceram 3 horas) que foi o tempo de meter a manápula esquerda ao bolso para tirar um papel que infelizmente não estava lá....
-Foda-se meti no outro bolso... - disse eu entre dentes. Ah pois, eu sou dextro, logo, ao preparar-me pus o papel no bolso direito das calças de ganga, e como tal tive que rapidamente passar a arma para a mão esquerda quase imitando o Marco Paulo com o seu famoso microfone. Aquela merda já estava quase a descarrilar! Resolvida a trapalhada, (papel na esquerda, pistola na direita) pousei o papel no balcão que nos separava e disse-lhe com uma voz decidida, autoritária, calma e rouca:
-Está aqui esta lista! Tudo o que nela consta, vais meter num saco! Tens exactamente dois minutos para o fazer! Aos 2 minutos e um segundo tens latão nos cornos!!! Ele pegou no papel com um ar de espanto misturado com o pânico! Adivinho-lhe o pensamento:
-Mas porque raio está este gajo a assaltar uma mercearia? E porque raio me dá uma lista de compras em vez de me sacar a narta da registadora???
Observo os movimentos do gajo a aviar-me a lista, eis que sinto uma forte pancada no ombro que me deixa gelado ao mesmo tempo que sinto uma descarga imensa de adrenalina que me faz disparar o coração... Nisto, ouço:
-Acorda!!!!
Abro os olhos ainda em pânico sem perceber a quantas estou, a tentar descortinar o que se passa. Estou deitado no sofá da sala. Na televisão está a dar no telejornal uma notícia sobre a crise alimentar que irá abalar o mundo.
Olho para aquilo com preocupação, pois tenho apenas uma reles pistola. Tenho de investir em mais poder de fogo!!!

29/04/2008

O mistério da Estrada de Sintra - introdução

Esta história nada tem a haver com a obra de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão. É apenas um apontamento de ficção...
...surrealista!!!

Sintra é conhecida como a terra das Bruxas, são conhecidas as lendas que assolam o lugar. Aliás, Sintra era conhecida como o Monte da Lua ou qualquer coisa do género. Alberga também um local de culto transcendente que nada tem de parecido com rituais Satânicos ou seitas Wicca. A minha história desenrola-se num edifício com uma traça arquitectónica invulgar, um misto de bola de espelhos muito na moda das boites dos anos 80 e do capacete do Darth Vader. Fica à beira de uma estrada internacionalmente conhecida que dá acesso aos locais de dormitório dos funcionários públicos suburbanos que se engravidaram a gaja mais comida da escola e agora têm uma vidinha de merda, em que a única preocupação da vida deles é esgalhar o pessegueiro à conta das amigas imberbes da filha adolescente, e do próximo treinador do Benfica. É conhecido pela populaça local como Alcatraz devido às fortes medidas de segurança existentes no edifício, bem como à quase inexistente possibilidade de fuga dos que por lá se atrevem a entrar. O dono deste edifício e director da prisão é tão misterioso quanto Sintra. Sabe-se muito pouco sobre esta figurinha controversa e atarracada! Nos idos anos 60 diz-se que foi sodomizado por uma tribo inteira de pretos, e que desde aí lhes ganhou aversão. Dedicou-se depois à produção em massa de enciclopédias para donas-de-casa que lamentam a puta da vida madrasta que levam, que a nível profissional gostariam de ter sido esteticistas e que têm o infortúnio de apanhar nas trombas à sexta-feira. A sina delas é tratar da roupa da Maconde do labrego do marido mas de têm o desejo secreto de lamber uma púncia enquanto são encavadas por uma réplica do John Holmes.
Diz-se também que foi uma espécie Larry Flynt das ex-colónias e que vingou através do trabalho alheio e da ausência de escrúpulos no que diz respeito às leis do direito de autor. Tem uns quantos filhos oficiais, já teve umas quantas esposas, e clonou a última nos anos 80. O seu nome é Jackie Chan Ramiro, mais conhecido como BLACK ZEIMER, alcunha que derivou da malvadez do Black Adder misturada com Alzeimer, doença de que se julga ele padecer. Ao seu lado direito encontra-se a sua primogénita Sauria Ramiro, moça quarentona que se julga intelectual e que a sua maior façanha foi querer fazer uma entrevista a um conhecido compositor do século XIX. Burra de pai e mãe, lá vai fazendo a vontade ao paizinho, não sendo propriamente a sua vontade. Espera um dia ascender ao título de mulher de sucesso, directora de uma prisão administrando-a com golpes de marketing do tempo da ditadura com uma pitadinha de palavras de incentivo retiradas de um qualquer livro do Paulo Coelho. O seu homem de confiança, o número três do estabelecimento prisional, José Aventuras, gajo do jet-set, doutor, outrora secretário e lacaio de um rei que se dedicava ao tráfico de diamantes. Gajo a entrar na 3ª idade, casado, uma referência na rotidão nacional, adora moços altos e espadaudos, de barbinha feita, de preferência aspirantes a cantores pimba/boysband com nomes tão peculiares como ManelManel, AntónioAntónio ou ViktorViktor. O seu doutoramento permanece um mistério, visto ele achar que Helmut Newton é o vendedor de gelados e Magnum é nome de um sabor! O seu hobbie é açambarcar o tarolo de uma outra figurinha de 1,90m: Gambuzino Tenente. Invertebrado, alpinista, dono de uma ambivalência extrema, foi outrora um macaco de passerelle. Por acaso até é hetero, mas apenas encava velho e engelhado em benefício da sua carreira. Adepto fervoroso da série de livros "...FOR DUMMYS", conta que o último que anda a ler é "BE SMART FOR DUMMYS".

Estão feitas as apresentações dos personagens principais. Outras virão...
Quaisquer semelhanças com a realidade são pura filhaputice do autor!

28/04/2008

Esquizofrenia


Sou um gajo que tá com a bola queimada! Só pode... Últimamente, alheio-me da realidade e perco-me aqui na manta de retalhos em que está a minha massa cinzenta! Assumo Alter Egos conforme vejo determinado filme, ouço determinada música... E se um dia não voltar mais? Encarnar a personagem e assim viver até ao fim dos meus dias?!?!?! Foda-se, espero que não seja a ver um filme do Almodôvar ou a ouvir o YMCA!!!

Eu vi a Luz!!!

Eu padeço de um mal (quer dizer, eu padeço de muitos... ), Insónias!!! Esta madrugada a coisa repetiu-se. Isto acontece-me ocasionalmente durante poucos dias. E que faço eu durante estas crises? Penso! Sim, por incrível que pareça, também o faço... e penso nas mais variadas coisas, aspectos da minha vida, trabalho, recordo-me de acontecimentos passados, etc e tal... Hoje, a deambular por pensamentos desconexos e aleatórios tive aquilo que se chama de "Momento de Claridade"! Os crentes chamam-lhe de "chamamento de deus"... Cheguei à conclusão do MEU SENTIDO DA VIDA!!!! E não, nada tem a ver com os Monty Pyton. E aqui vai a minha explicação convicta que nada nem ninguém irá abalar (até que eu mude de ideias): EXISTIR! Nada mais que isso. Tirei os floreado supérfulos com que insistimos decorar a nossa razão de existir. Comparei-me à vida dos animais irracionais que nos rodeiam e caí em mim. Fiz um exercício mental, retirei todas as regras de vivência impostas pela sociedade complexa e altamente estruturada em que nos encontramos e apenas encontrei a sobrevivência animal que há em nós. Nada mais! Tudo o resto é acessório, é fruto daquilo que nos difere do resto dos animais, a inteligência e comunicação altamente desenvolvida. E foi também isso que nos traiu... Resignei-me à minha condição de HUMANO e de tudo o que isso representa, enquadrado e socialmente aceite, mas não renego a minha origem nem perco a consciência de que sou apenas carne que tenta a sobrevivência!!! Sem floreados, sem razões metafísicas, filosóficas e transcendentais!!! Ah! E também, como HUMANO que sou, arranjei uma frase bonita, com adornos, assim muito à laia de filosofia bonita para massas, vulgo "Paulo Coelho": "O sentido da vida é sempre em frente, até chegar ao fim da rua!"

15/04/2008

Tempos de correria ou sou um sacana insensível!!!

Logo pela manhã a súbita paixão da cama pelo meu corpo faz com que a mesma não me largue. Eu bem me debato mas ela leva a melhor... Quando finalmente me solto das suas terríves e fortes amarras já são horas de passar o cartão em Alcatraz, mas infelizmente ainda estou a correr para o banho, a beber um café, a arranjar a roupa que hei-de vestir e a reunir os objectos essenciais para um dia de labuta. Isto tudo não segue uma ordem, é feito aleatóriamente e interropido porque ainda estou meio baralhado. Claro que toda esta azafama causa ainda mais atraso!!!
Quando finalmento meto as fuças ao vento já o dia vai longo e alguém se pergunta porque raio o meu lugar não está ocupado. Mal eles sabem que ainda estou a uns escassos 300 metros de casa e a 20Km do local da tortura diária.
Hoje, invariávelmente, foi um destes dias. Normalmente dirijo-me a uma estação de comboios perto do meu palácio, e no trajecto costumo passar por um pequeno jardim. Neste mesmo espaço, hoje encontrava-se um senhor de meia idade a dormir sentado, com um ar sereno. Nada de anormal nos dias de hoje. O que me levou a olhar segunda vez foi o facto de o senhor apresentar uma tonalidade da pele da tromba muito estranha, muito parecida à dos senhores que bebem bagaço em doses industriais logo pela manhã, além de estar muito inchada. A primeira palavra que me veio à mona foi: carraspana monumental!!! Mas depois olhei com mais atenção e pensei:
-"Fónix, o gajo tá todo desgraçado, tem o focinho inchado como um balão, e as palpebras parecem bolas de ping-pong... queres ver que quinou?"
Parei mais à frente, a cerca de 20 metros, olhei com atenção a ver se se mexia, mas nada nem um pequenito movimento. Ali estava, sentado a direito com a cabeça ligeiramente tombada para trás, de olhos e boca fechada com uma expressão quase, mas quase angelical não fosse a cor e o inchado do trombil apenas comparado a um leitão da bairrada. Ora por norma gente morta fica lívida, o que não era o caso, mas mesmo assim... Como qualquer pessoa normal pensei em chegar ao pé do senhor e perguntar se estava tudo bem. Só que outro pensamento, vindo sabe-se lá de onde e à velocidade da luz me assaltou a mioleira:
-"Se está bêbado e a dormir, que se dane, há-de acordar. Se está morto é uma chatice, pois a bófia vem e eu tenho de prestar declarações e o caralho-a-sete!!! Foda-se, estou atrasado hora e meia, mais morto não fica e além disso não estou para responder a questionários policiais sobre mortes na via pública... e está na hora do comboio. Senhor, desculpe lá mas aqui passa mais gente nomeadamente reformados que se passeiam e adoram ver cenas macabras envolvento 112, bófia e medicina legal. Se assim não for, amanhã passo por aqui mais cedo e trato de si!"
Mais tarde, já ia no comboio e pensei na frieza do meu pensamento e nos tempos que correm a correr!!! Fiquei com a consciência a remoer e a lamentar a falta de humanidade em que nós todos estamos embrenhados!!!
Eu só espero um dia não bezerrar no meio da rua e só alguém dar conta quando acharem estranho estar um esqueleto branquinho e reluzente deitado no meio de uma movimentada rua.

02/02/2008

Momento de clareza cristalina - parte1

A ratazana vive no lixo, a tainha nos esgotos de um rio cosmopolita! Ambos são o fruto da nossa porca existência, do nosso desperdício que teimamos em esconder atrás das costas!

Nunca eu vi uma ratazana a apregoar palavras de ordem ambientalistas ao mesmo tempo que conduz um jipe a gásoleo dos anos 6o. Não é um sindicalista que em nome de um bem maior, não pode ser despedido, usufrui de um horário laboral comprendido entre 15 e as 18 da Sexta-Feira, que é tão útil numa empresa como um cancro nos pulmões, reclama um posto de trabalho, que diz como homem do povo "ao povo o que o povo produz", e que a ser assim, a única coisa que lhe havia de calhar era um grande monte de nada.
Gostava eu de ver uma ratazana branca de rasta, filho de brasonados, a OKUPAREM um qualquer prédio abandonado em zona fina, que vive à conta de trocos cravados e da gorda mesada do papá! Isso sim, verdadeiras ratazanas produtoras de lixo, de doenças, de ninhadas, que o objectivo na vida é viverem à conta dos trocos de transeuntes trabalhadores!
Nunca eu vi uma ratazana a fazer esquemas de pirâmides e a conduzir um BMW com publicidade de impacto apenas comparável a um recanto do Bairro Alto onde é poiso de mijo e vómito diário, prometendo mezinhas e fortunas como de um shampoo 2 em 1 se tratasse, fugindo aos impostos (estes igualmente não-inventados por ratazanas), tentando enganar apenas porque a mesquinhez de ter sido outrora uma vítima acéfala, lhe desperta a vontade de aplicar a máxima "fode outro e não o mesmo" e se julga no topo da cadeia alimentar mas na verdade nem lá entra por ordem de uma força que curiosamente nos defende da Peste Negra, da Peste das Colheres de Pau, da Peste do Fumo dos Centros Comerciais onde populam adolescentes candiatos à lista dos doentes cardíacos e obesos de um futuro próximo, onde gangs de pretos assaltam à vista de todos, que nem ratazanas (essas apenas o fazem por comida e não por telemóveis, jóias, e outros adereços inúteis à sobrevivência), esses, a Força não proíbe por ser políticamente correcto, tal como o é dizer que há corrupção no Governo de uma forma generalizada e incosequente, já as ratazanas fodem sem apelo nem agravo qualquer SUSPEITO de roubo de comida!!! As ratazanas não vão abortar em Londres, quer dizer, abortam, mas as que são de Londres... Já as putas do CDS (passo a redundância), o fazem porque cá é moralmente condenável aos olhos de Deus, e mais grave ainda aos olhos de toda a gente, principalmente quando a concepção foi levada a cabo por um padre ou por um primo (ou ambos) numa festa da catequese, onde o champanhe, a Cocaína servida em malgas de sopa e uma fálica vela de promesas eram as principais atracções...

Na idade média, as ratazanas foram as responsáveis por uma epidemia mortal na Europ, mas não o fizeram por vontade própria, aconteceu! Já nós, espalhamos a Sífilis, a Gonorreia, a SIDA, fazemos bombas atómicas, banalizamos comportamentos de auto-destruição, condenamos o canibalismo ao mesmo tempo que torturamos crianças só porque sim, explodimos, somos monárquicos, gostamos de ouvir o Louçã e a mutilamo-nos por prazer...

As ratazanas e as tainhas são animais porcos, putridos e vítimas de analogias em relação ao comportamento humano. Mas não estaremos a inverter os papeis?!?!?!?

A minha dúvida mantém-se: serei um Homem ou uma ratazana...?

Amanhã falo das tainhas!!!

Foram tempos difíceis!

Lisboa, 20 de Julho de 2006

"Perdeu-se, durante um dia de sol, uma personagem dos livros infantis. Vestia calções aos quadrados, sandálias em pele e t-shirt do Egas & Becas. Tem olhos transparentes, cabelo fofo, não tem dentes, gosta de ver os raios do nascer do Sol a espreitar pelos buracos das persianas, julga que tem vida e que é feliz. Foi visto pela última vez abraçado por uma figueira! Quem encontrar, é favor guardar numa caixinha de música, ao pé da bailarina. É favor não alimentar, porque cresce e fica mau!"

Houve alguém que me disse: "volta atrás, volta atrás e lembra-te quem és..."

A esse alguém, um muito obrigado!

Please wait...